Colegiado de História
DEDC UNEB CAMPUS II
Heróis Negros da Revolta de Búzios receberão homenagens com conferência, caminhada e lançamentos
Lei Federal incluiu líderes baianos no Livro dos Heróis Nacionais
Em 12 de agosto de 1798, a cidade de Salvador foi cenário da maior revolta política social da história, conhecida como Revolta dos Búzios. Como resultado, os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga e os alfaiates Manoel Faustino Santos Lira e João de Deus do Nascimento foram enforcados e esquartejados como revoltosos. Agora, mais de 200 anos depois, os quatro líderes são homenageados e aclamados como Heróis Negros da nação brasileira. Por conta desta homenagem, o Governo do Estado, através da Fundação Pedro Calmon/SecultBA e da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da Republica (Seppir), realiza na próxima sexta-feira (12) uma programação especial.
Logo pela manhã, no Palácio Rio Branco, Praça Municipal, as homenagens começam com a abertura da exposição interativa Revolta dos Búzios, Heróis Negros do Brasil, que apresentará, para visitação até domingo (14), documentos textuais, manuscritos e livros raros sobre a temática. Apresenta também, biografias dos heróis e réplicas dos “boletins sediciosos” afixados nas ruas de Salvador pelos líderes do movimento. Na ocasião, será lançada uma cartilha com textos e documentos históricos sobre a revolta, além de selo e carimbo comemorativos aos ‘Heróis Negros do Brasil’, em parceria com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).
Caminhada - Saindo do local onde os heróis foram enforcados, Praça da Piedade, até o Palácio Rio Branco, às 15h, uma caminhada será animada por grupos culturais, a exemplo dos jovens da Escola Criativa do Olodum, e pela banda Tambores da Raça, comandada pelo cantor e compositor Adailton Poesia: “Fico feliz que o Brasil tenha reconhecido o significado desse herois exaltados há bastante tempo nas letras e canções dos blocos afro por terem lutado pela igualdade, liberdade e fraternidade”, exclama o artista.
Finalizando o dia de atividades, a conferência Revolta dos Búzios: Heróis Negros do Brasil, com Ubiratan Castro de Araújo, diretor geral da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, Patrícia Valim, doutoranda em História pela Universidade de São Paulo (USP), e João Jorge Rodrigues, mestre em direito e presidente do Grupo Cultural Olodum, traz ao debate a importância de celebrar a memória dos líderes negros. “Este é um momento importante, pois celebra o reconhecimento de um processo que foi construído ao longo dos muitos anos, pelas historias e versos cantados pelos blocos afro”, afirma a Ministra da Seppir, Luiza Bairros. Ela ainda complementa que “com a inscrição dos líderes de Búzios no livro dos heróis nacionais acontece o encontro da historia oficial com a historia sempre contada e lembrada pela cultura popular”.
Precursores - O historiador Ubiratan Castro de Araújo também destaca o papel dos precursores baianos na luta pela liberdade. “Os quatro mártires negros da Revolta dos Búzios representam os milhares de homens e mulheres pobres e escravizados que lutaram pela liberdade da Bahia. Mesmo condenados e enforcados na Praça da Piedade, em 8 de novembro de 1799, seus ideais continuaram vivos e ressurgiram em 1822-1823, nas lutas pela independência do Brasil”, ressalta.
Contextualização - A Revolta dos Búzios, também conhecida como Revolta dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, ocorreu em agosto de 1798 reunindo a população negra que sonhava e lutava pela implantação de uma República democrática e pelo fim da escravidão. Em 04 de março de 2011, a presidente Dilma Roussef reconheceu a importância dos líderes deste movimento, lhes considerando heróis para o Estado Brasileiro, a partir do projeto de Lei do deputado federal Luiz Alberto. Por meio da Lei 12.391, os quatro líderes da Revolta dos Búzios foram incluídos no Livro dos Heróis Nacionais, conhecido como o Livro de Aço do Brasil.
SERVIÇO
Celebração aos Heróis Negros da Revolta dos Búzios
Lançamento de cartilha, selo e carimbo, abertura de exposição, caminhada pelo Centro de Salvador e conferência com especialistas.
Palácio Rio Branco, Praça Municipal, s/n.
Dia 12 de agosto, a partir das 10h
GRATUITO
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Assessoria de Comunicação
Fundação Pedro Calmon – SecultBA
(71) 3116-6918/ 6919/ 6676
ascom.fpc@fpc.ba.gov.br
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Fortalecimento entre relações Brasil-Nigéria
Acordo entre UNEB e universidade de Kwara vai fortalecer relações Brasil-Nigéria
Cooperação tecnicocientífica contempla áreas de educação, tecnologia e inovação. Fotos: Cindi Rios/Ascom
A UNEB deu mais um passo para consolidar a sua internacionalização.
Ontem (28) à tarde, o reitor da instituição, Lourisvaldo Valentim, recebeu a visita de autoridades e diplomatas da Nigéria, para tratar de ações de relacionamento entre a UNEB e a Universidade do Estado de Kwara (Kwasu), do país africano.
No encontro, realizado no gabinete da Reitoria, Campus I, em Salvador, Valentim e o vice-reitor da Kwasu, AbdulRasheed Na’Allah, assinaram um acordo de cooperação entre as duas instituições (foto home).
A parceria prevê o intercâmbio de experiências e de pessoal no campo da investigação, do ensino, da docência, da produção técnico, científica e cultural nas áreas de educação, tecnologia, inovação e ciência.
Reitor Valentim e vice-reitor AbdulRasheed querem intercâmbio de experiências e de pessoal
“Para a UNEB é muito importante estabelecer novas parcerias com os irmãos africanos. Nossa universidade vem se destacando no que se refere às políticas afirmativas, primeiro com as cotas, depois com licenciatura sobre cultura e história da África e oferta de línguas africanas. Por isso precisamos de acordos como esse para fortalecer essas ações”, destacou Valentim.
O reitor aproveitou para antecipar que está articulando, com o governo do estado, a instalação de um polo de ensino da universidade no Pelourinho, bairro histórico da capital, em parceria com blocos afro soteropolitanos. “O intercâmbio de professores e estudantes com a Kwasu vai qualificar nossos novos cursos”, avaliou.
Outro ponto de interesse entre as duas universidades é a troca de conhecimentos para a instalação, na Nigéria, de um centro de estudos sobre a Diáspora Africana (fenômeno histórico relacionado à imigração de negros escravizados da África para outros continentes).
“Agradeço ao reitor Valentim por esse importante acordo firmado. Nossas instituições podem ser grandes parceiras nas áreas do ensino e da pesquisa sobre a Diáspora, o que vai permitir o fortalecimento dos laços entre Brasil e Nigéria”, pontuou AbdulRasheed.
Cooperação tecnicocientífica
Na reunião, o reitor Valentim também mostrou interesse em celebrar convênios de cooperação tecnicocientífica nas áreas de energia limpa – já que a Kwasu mantém um centro de estudos sobre o tema – e de agronomia, disponibilizando o intercâmbio de conhecimentos com o mestrado em horticultura irrigada do Campus III da UNEB, em Juazeiro.
Adrianna Freire: demanda imediata é o envio de professores para o ensino da língua portuguesa
A assessora especial para Cooperação Internacional (Asseci) da UNEB, Adrianna Freire, adiantou que detalhes do acordo interinstitucional serão discutidos em novos encontros a serem agendados entre as partes, mas que existe “uma demanda imediata de envio de professores leitores para o ensino da língua portuguesa na universidade nigeriana”.
A coordenação das futuras ações do acordo, que terá cinco anos de vigência, ficará sob responsabilidade do professor Wilson Mattos, diretor do Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia) da UNEB, e da professora Nancy Hanemann, da Kwasu.
A vice-diretora do Cepaia, Cláudia Rocha, que representou Wilson Mattos no encontro, colocou o centro à disposição da universidade nigeriana, lembrando que a UNEB tem forte interesse no intercâmbio de conhecimentos com os povos africanos.
A comitiva nigeriana – composta ainda pelo senador Mohammed Lafiaji, pelo embaixador da Nigéria no Brasil, Abubakar Abduljalil-Sulaiman, e funcionários da embaixada – também conheceu a infraestrutura do Campus I da UNEB, visitando o teatro, a biblioteca central e os departamentos da unidade.
Atualmente, a UNEB possui acordos de intercâmbio acadêmico e cultural com países como Argentina, Chile, Paraguai, Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Espanha, Costa do Marfim, Moçambique, Angola e Quênia.
Victor Seabra
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação
fonte: http://www.uneb.br/2011/07/29/uneb-firma-acordo-de-cooperacao-academica-com-universidade-nigeriana
às 23:32 - 02/08/2011
Cooperação tecnicocientífica contempla áreas de educação, tecnologia e inovação. Fotos: Cindi Rios/Ascom
A UNEB deu mais um passo para consolidar a sua internacionalização.
Ontem (28) à tarde, o reitor da instituição, Lourisvaldo Valentim, recebeu a visita de autoridades e diplomatas da Nigéria, para tratar de ações de relacionamento entre a UNEB e a Universidade do Estado de Kwara (Kwasu), do país africano.
No encontro, realizado no gabinete da Reitoria, Campus I, em Salvador, Valentim e o vice-reitor da Kwasu, AbdulRasheed Na’Allah, assinaram um acordo de cooperação entre as duas instituições (foto home).
A parceria prevê o intercâmbio de experiências e de pessoal no campo da investigação, do ensino, da docência, da produção técnico, científica e cultural nas áreas de educação, tecnologia, inovação e ciência.
Reitor Valentim e vice-reitor AbdulRasheed querem intercâmbio de experiências e de pessoal
“Para a UNEB é muito importante estabelecer novas parcerias com os irmãos africanos. Nossa universidade vem se destacando no que se refere às políticas afirmativas, primeiro com as cotas, depois com licenciatura sobre cultura e história da África e oferta de línguas africanas. Por isso precisamos de acordos como esse para fortalecer essas ações”, destacou Valentim.
O reitor aproveitou para antecipar que está articulando, com o governo do estado, a instalação de um polo de ensino da universidade no Pelourinho, bairro histórico da capital, em parceria com blocos afro soteropolitanos. “O intercâmbio de professores e estudantes com a Kwasu vai qualificar nossos novos cursos”, avaliou.
Outro ponto de interesse entre as duas universidades é a troca de conhecimentos para a instalação, na Nigéria, de um centro de estudos sobre a Diáspora Africana (fenômeno histórico relacionado à imigração de negros escravizados da África para outros continentes).
“Agradeço ao reitor Valentim por esse importante acordo firmado. Nossas instituições podem ser grandes parceiras nas áreas do ensino e da pesquisa sobre a Diáspora, o que vai permitir o fortalecimento dos laços entre Brasil e Nigéria”, pontuou AbdulRasheed.
Cooperação tecnicocientífica
Na reunião, o reitor Valentim também mostrou interesse em celebrar convênios de cooperação tecnicocientífica nas áreas de energia limpa – já que a Kwasu mantém um centro de estudos sobre o tema – e de agronomia, disponibilizando o intercâmbio de conhecimentos com o mestrado em horticultura irrigada do Campus III da UNEB, em Juazeiro.
Adrianna Freire: demanda imediata é o envio de professores para o ensino da língua portuguesa
A assessora especial para Cooperação Internacional (Asseci) da UNEB, Adrianna Freire, adiantou que detalhes do acordo interinstitucional serão discutidos em novos encontros a serem agendados entre as partes, mas que existe “uma demanda imediata de envio de professores leitores para o ensino da língua portuguesa na universidade nigeriana”.
A coordenação das futuras ações do acordo, que terá cinco anos de vigência, ficará sob responsabilidade do professor Wilson Mattos, diretor do Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia) da UNEB, e da professora Nancy Hanemann, da Kwasu.
A vice-diretora do Cepaia, Cláudia Rocha, que representou Wilson Mattos no encontro, colocou o centro à disposição da universidade nigeriana, lembrando que a UNEB tem forte interesse no intercâmbio de conhecimentos com os povos africanos.
A comitiva nigeriana – composta ainda pelo senador Mohammed Lafiaji, pelo embaixador da Nigéria no Brasil, Abubakar Abduljalil-Sulaiman, e funcionários da embaixada – também conheceu a infraestrutura do Campus I da UNEB, visitando o teatro, a biblioteca central e os departamentos da unidade.
Atualmente, a UNEB possui acordos de intercâmbio acadêmico e cultural com países como Argentina, Chile, Paraguai, Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Espanha, Costa do Marfim, Moçambique, Angola e Quênia.
Victor Seabra
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação
fonte: http://www.uneb.br/2011/07/29/uneb-firma-acordo-de-cooperacao-academica-com-universidade-nigeriana
às 23:32 - 02/08/2011
Teorias Raciais e História da África
Teorias Raciais e História da África
por Joseph Ki-Zerbo.
Nenhum trabalho sobre a África seria completo se não houvesse uma discussão sobre o problema das teorias raciais e sua aplicação ao caso africano. Expediente intensamente utilizado para justificar o preconceito, as teorias raciais mostram-se um grande falácia no texto de Ki-Zerbo, alicerçado pelas mais modernas e recentes técnicas antropológicas e genéticas. in História Geral da África. São Paulo; Ática, 1981 volume 1
O conceito de raça é um dos mais difíceis de definir cientificamente. Se admitirmos, como a maioria dos especialistas posteriores a Darwin, que a espécie humana pertence a um único tronco, a teoria das "raças" só pode ser desenvolvida cientificamente dentro do contexto do evolucionismo.
Com efeito, a raciação se inscreve no processo geral da evolução diversificadora. Como observa J. Ruffie, ela requer duas condições: em primeiro lugar, o isolamento sexual, freqüentemente relativo, que provoca pouco a pouco uma paisagem genética e morfológica singular. A raciação, portanto, baseia-se num estoque gênico diferente, causado quer por oscilação genética (o acaso na transmissão dos genes faz com que um deles se transmita com mais freqüência que outro, ou, ao contrário, que seu alelo seja o mais largamente difundido), quer por seleção natural. Esta conduz a uma diversificação adaptativa, graças à qual um grupo tende a conservar o equipamento genético que o adapte melhor a um certo meio. Na África, ambos os processos devem ter ocorrido. De fato, a oscilação genética, que se exprime ao máximo em pequenos grupos, operou em etnias restritas, submetidas a um processo social de cissiparidade por ocasião das disputas de sucessão ou de terras e em virtude das grandes áreas virgens disponíveis. Esse processo marcou particularmente o patrimônio genético das etnias endógamas ou florestais. Quanto à seleção natural, ela teve a oportunidade de entrar em jogo em ecologias tão contrastantes como as do deserto e da floresta densa, dos altos planaltos e das costas recobertas de mangues. Em resumo, do ponto de vista biológico, os homens de uma "raça" têm em comum alguns fatores genéticos que num outro grupo "racial" são substituídos por seus alelos; entre os mestiços, coexistem os dois tipos de genes.
Como era de esperar, a identificação das "raças" se fez em primeiro lugar a partir de critérios aparentes, para em seguida ir considerando, pouco a pouco, realidades mais profundas. Aliás, as características exteriores e os fenômenos internos não estão absolutamente separados. Se certos genes comandam os mecanismos hereditários que determinam a cor da pele, por exemplo, esta também está ligada ao meio ambiente. Observou-se uma correlação positiva entre estatura e temperatura mais elevada do mês mais quente e uma correlação negativa entre estatura e umidade. Da mesma forma, um nariz fino aquece melhor o ar num clima mais frio e umidifica o ar seco inspirado. É assim que o índice nasal aumenta consideravelmente nas populações subsaarianas, do deserto para a floresta, passando pela savana. Embora possuindo o mesmo número de glândulas sudoríparas que os brancos, os negros transpiram mais, o que mantém seu corpo e sua pele numa temperatura menos elevada.
Existem, portanto, diversas etapas na investigação científica no que diz respeito às raças.
A abordagem morfológica
Eickstedt, por exemplo, define as raças como "agrupamentos zoológicos naturais de formas pertencentes ao gênero dos hominídeos, cujos membros apresentam o mesmo conjunto típico de caracteres normais e hereditários no nível morfológico e no nível comportamental".
Desde a cor da pele e a forma dos cabelos ou do sistema piloso, até os caracteres métricos e não métricos, a curvatura femural anterior e as coroas e os sulcos dos molares, foi construído um verdadeiro arsenal de observações e mensurações. Deu-se atenção especial ao índice cefálico, por estar relacionado à parte da cabeça que abriga o cérebro. É assim que Dixon estabelece os diversos tipos em função de três índices combinados de vários modos: o índice cefálico horizontal, o índice cefálico vertical e o índice nasal. Contudo, das 27 combinações possíveis, apenas oito (as mais freqüentes) foram aceitas como representativas dos tipos fundamentais, tendo sido as 19 restantes consideradas misturas. No entanto, as características morfológicas são apenas um reflexo mais ou menos deformado do estoque gênico; sua conjugação num protótipo ideal raramente se realiza com perfeição. De fato, trata-se de detalhes evidentes situados na fronteira homem/meio ambiente, mas que, justamente por isso, são muito menos inatos que adquiridos.
Reside aí uma das maiores fraquezas da abordagem morfológica e tipológica, na qual as exceções acabam por ser mais importantes e mais numerosas que a regra. Além disso, não se devem negligenciar as querelas acadêmicas sobre as modalidades de mensuração (como, quando, etc.), que impedem as comparações úteis. As estatísticas de distância multivariada e os coeficientes de semelhanças raciais, as estatísticas de "formato" e de "forma", a distância generalizada de Nahala Nobis requerem tratamento por computador. Ora, as raças são entidades biológicas reais que devem ser examinadas como um todo e não parte por parte.
A abordagem demográfica ou populacional
Este método vai insistir, de imediato, sobre fatos grupais (reservatório gênico ou genoma), mais estáveis que a estrutura genética conjuntural dos indivíduos. De fato, na identificação de uma raça, é mais importante a freqüência das características que ela apresenta do que as próprias características. Como o método morfológico está praticamente abandonado 2, os elementos serológicos ou genéticos podem ser submetidos a regras de classificação mais objetivas. Para Landman, uma raça é "um grupo de seres humanos que (com raras exceções) apresentam entre si mais semelhanças genotípicas e freqüentem ente também fenotípicas do que com os membros de outros grupos". Alekseiev desenvolve também uma concepção demográfica das raças com denominações puramente geográficas (norte-europeus, sul-africanos, etc.). Schwidejzky e Boyd acentuaram a sistemática genética: distribuição dos grupos sangüíneos A, B e O, combinações do fator Rh, gene da secreção salivar, etc.
O hemotipologista também leva em conta a anatomia, mas no nível da molécula. No que diz respeito à micromorfologia, descreve as células humanas cuja estrutura imunológica e cujo equipamento enzimático são diferenciados, sendo o tecido sangüíneo o material mais prático para isso. Os marcadores sangüíneos representam um salto histórico qualitativo na identificação científica dos grupos humanos. Suas vantagens em relação aos critérios morfológicos são decisivas. Primeiramente, eles são quase sempre monométricos, isto é, sua presença depende de um só gene, enquanto o índice cefálico, por exemplo, é o produto de um complexo de fatores dificilmente localizáveis 3.
Além disso, enquanto os critérios morfológicos são traduzidos em números utilizados para classificações com fronteiras arbitrárias ou mal definidas, como por exemplo entre o braquicéfalo típico e o dolicocéfalo típico, os marcadores sangüíneos obedecem à lei do tudo ou nada. Uma pessoa é ou não do grupo A, tem fator Rh+ ou Rh- e assim por diante. Além disso, os fatores sangüíneos independem quase inteiramente da pressão do meio. O hemótipo é fixado para sempre, desde a formação do ovo. Eis por que os marcadores sangüíneos escapam ao subjetivismo da tipologia morfológica. Aqui, o indivíduo é identificado por um conjunto de fatores gênicos, e a população por uma série de freqüências gênicas. A grande precisão desses fatores compensa seu caráter parcial em relação à massa dos genes no conjunto de um genoma. Isso tornou possível elaborar um atlas das "raças" tradicionais.
Três categorias de fatores sangüíneos foram estabelecidas. Algumas, como o sistema ABO, são encontradas em todas as "raças" tradicionais sem exceção. Certamente elas pré-existiam à hominização. Outros fatores como os do sistema Rh são onipresentes, mas com certa predominância racial. Assim, o cromossomo r existe principalmente entre os brancos. O cromossomo Ro, conhecido como "cromossomo africano", tem uma freqüência particularmente alta entre os negros ao sul do Saara. Trata-se, certamente, de sistemas que datam do momento em que a humanidade começava a se propagar- em nichos ecológicos variados. Outra categoria de sistemas denota uma repartição racial mais marcada, como os fatores Sutter e Henshaw, encontrados quase que unicamente entre os negros, e o fator Kell, presente sobretudo entre os brancos. Embora eles nunca sejam exclusivos, foram qualificados de "marcadores raciais". Enfim, alguns fatores são geograficamente muito circunscritos como, por exemplo, a hemoglobina C para as populações do planalto voltense.
Embora os fatores sangüíneos sejam desprovidos de valor adaptativo, não escapam inteiramente à ação do meio infeccioso ou parasitário; este pode exercer sobre eles uma triagem com valor seletivo, levando, por exemplo, à presença de hemoglobinas características. Isso ocorre com relação às hemoglobinoses S, ligadas à existência de células falciformes ou drepanócitos entre as hemácias. Elas foram detectadas no sangue dos negros da África e da Ásia. Perigosa apenas no caso dos homozigotos, a hemoglobina S (Hb S) é um elemento de adaptação à presença de Plasmodium falciparum, responsável pelo paludismo. O estudo dos hemótipos em grandes áreas permite o traçado de curvas isogênicas que mostram a distribuição geográfica dos fatores sangüíneos por todo o mundo. Associado ao cálculo das distâncias genéticas, ele dá uma idéia de como as populações se situam umas em relação às outras, enquanto o sentido dos fluxos gênicos permite reconstituir o processo prévio de sua evolução.
Apesar de seus desempenhos excepcionais, contudo, o método hemotipológico e populacional encontra dificuldades. Primeiramente, porque seus parâmetros se multiplicam enormemente e já estão apresentando resultados estranhos a ponto de serem encarados por alguns como aberrantes. É assim que a árvore filogênica das populações elaborada por L. L. Cavalli-Sforza difere da árvore antropométrica. Esta coloca os Pigmeus e os San da Africa no mesmo ramo antropométrico que os negros da Nova Guiné e da Austrália; na árvore filogênica, esses mesmos Pigmeus e San aproximam-se mais dos franceses e ingleses e os negros australianos dos japoneses e chineses 4. Em outras palavras, os caracteres antropométricos são mais afetados pelo clima que os genes, de modo que as afinidades morfológicas são mais uma questão de meios similares que de hereditariedades similares. Os trabalhos de R. C. Lewontin, com base nas pesquisas dos hemotipologistas, mostram que, no mundo inteiro, mais de 85 % da variabilidade situa-se no interior das nações. Somente 7 % da variabilidade separa as nações que pertencem à mesma raça tradicional e também apenas 7% separam as raças tradicionais. Em resumo, os indivíduos do mesmo grupo "racial" diferem mais uns dos outros que as "raças"...
É por isso que cada vez mais especialistas adotam a posição radical que consiste em negar a existência de qualquer raça. Segundo J. Ruffie, nas origens da humanidade pequenos grupos de indivíduos separados em zonas ecológicas diversificadas e afastadas, obedecendo a pressões seletivas muito fortes - enquanto os meios técnicos eram extremamente limitados -, puderam se diferenciar a ponto de dar origem às variantes Homo erectus, Homo neanderthalensis e o mais antigo Homo sapiens. O bloco facial, que é a parte do corpo mais exposta a meios ambientes específicos, evoluiu diferentemente; a riqueza de pigmentos melanínicos na pele desenvolveu-se em zona tropical, etc. Mas essa tendência especializante, rapidamente bloqueada, permaneceu embrionária. Em toda parte, o homem se adapta culturalmente (roupas, habitat, alimentos, etc.), e não mais morfologicamente, a seu meio. O homem nascido nos trópicos (clima quente) evoluiu por muito tempo como australopiteco, Homo habilis e até mesmo Homo erectus. "Foi apenas durante a segunda glaciação que, graças ao controle eficaz do fogo, o Homo erectus optou por viver em climas frios. A espécie humana transforma-se de politípica em monotípica e esse processo de desraciação parece irreversível. Hoje, a humanidade inteira deve ser considerada como um único reservatório de genes intercomunicantes."
Em 1952, Livingstone publicava seu famoso artigo "Da não existência das raças humanas". Diante da enorme complexidade e, portanto, da inconsistência dos critérios adotados para qualificar as raças, ele recomendava a renúncia ao sistema lineano de classificação, sugerindo uma árvore genealógica". De fato, nas zonas não isoladas, a freqüência de certos caracteres ou de certos genes evolui progressivamente em várias direções e as diferenças entre duas populações são proporcionais a seu distanciamento físico, de acordo com uma espécie de gradiente geográfico (cline). Relacionando cada traço distintivo aos fatores de seleção e adaptação que podem tê-lo favorecido, notamos freqüências ligadas, ao que parece, muito mais. a fatores tecnológicos, culturais e outros, que não coincidem de maneira nenhuma com o mapa das "raças" 6. Dependendo do critério adotado (cor da pele, índice cefálico, índice nasal, características genéticas e assim por diante), obtêm-se mapas diferentes. É por isso que alguns especialistas concluem, a partir daí, que "toda teoria das raças é insuficiente e mítica". "Os últimos progressos da genética humana são tais hoje em dia que nenhum biólogo admite a existência de raças na espécie humana." 7 Biologicamente, a cor da pele é um elemento negligenciável em relação ao conjunto do genoma. De acordo com Bentley Glass, não há mais de seis pares de genes pelos quais a raça branca difere da raça negra. Os brancos freqüentem ente diferem entre si num grande número de genes, o mesmo acontecendo com os negros. E: por isso que a Unesco, depois de ter organizado uma conferência de especialistas internacionais, declarou: "A raça é menos um fenômeno biológico do que um mito social". 8 Isso é tão verdadeiro que, na África do Sul, um japonês é considerado como "branco honorário" e um chinês como "homem de cor".
Para Hiernaux, a espécie humana parece uma rede de territórios genéticos, de genomas coletivos que constituem populações mais ou menos semelhantes, cuja distância qualitativa é expressa por uma avaliação quantitativa, (taxonomia numérica). As fronteiras desses territórios, definidos a partir do cline, flutuam com todas as mudanças que afetam os traços aparentes (fenótipos) e os dados serológicos (genótipos) das coletividades. Dessa maneira, qualquer "raça", em conformidade com a brilhante intuição de Darwin, seria em suma um processo em marcha, dependendo de algum modo da dinâmica dos fluidos; e os povos seriam todos mestiços ou estariam em vias de sê-lo. De fato, cada encontro de povos pode ser analisado como uma migração gênica e esse fluxo genético volta a questionar o capital biológico de ambos.
Porém, mesmo que essa abordagem fosse mais científica, mesmo que esses territórios genéticos mutáveis fossem realmente aceitos pelas comunidades em questão, poderíamos dizer que os sentimentos de tipo "racial" seriam suprimidos, uma vez que conservariam sua base material visível e tangível, sob a forma de traços fenotípicos?
Desde que os nazistas, a começar por Hitler, e em seguida outros pseudo-pensadores afirmaram que o homem mediterrâneo representa um nível intermediário entre o ariano, "Prometeu da humanidade", e o negro, que é "por sua origem um meio-macaco", o mito racial tem permanecido vivo. Os morfologistas impenitentes continuam a alimentar esse fogo ignóbil com alguns galhos mortos 9. Lineu, no século XVIII, dividia a espécie humana em seis raças: americana, européia, africana, asiática, selvagem e monstruosa. Com certeza, os racistas se encontram numa ou noutra das duas últimas categorias.
De todas essas teses, hipóteses e teorias, devemos conservar o caráter dinâmico dos fenômenos "raciais", tendo em mente que se trata de um dinamismo lento e espesso, que se exerce sobre uma enorme quantidade de registros, nos quais a cor da pele (mesmo que ela seja medida por eletroespectro-fotômetro) ou a forma do nariz constituem apenas um aspecto quase irrisório. Nessa dinâmica, devem ser levados em conta dois componentes que agem em conjunto: o patrimônio .genético, que pode ser considerado um gigantesco banco de dados biológicos em ação, e o meio ambiente, em sentido amplo, pois começa já no meio fetal.
As mudanças que resultam da interação desses dois fatores básicos intervêm seja sob a forma incontrolável da seleção e da migração gênica (mestiçagem), seja sob a forma: casual da oscilação genética ou da mutação. Em resumo, é toda a história de uma população que explica sua presente facies "racial", incluindo, através da interpretação das representações coletivas, as religiões, os costumes alimentares, de vestuário e outros.
Nesse contexto, o que dizer da situação racial do continente africano? A difícil conservação dos fósseis humanos devido à umidade e à acidez dos solos dificulta a análise histórica sob esse ponto de vista. Contudo, pode-se dizer que, ao contrário das teorias européias que explicam o povoamento da África pelas migrações vindas da Ásia, as populações desse continente são em grande parte autóctones. Quanto à cor da pele dos habitantes mais antigos do continente nas latitudes tropicais, vários autores pensam que ela deveria ser escura (Brace, 1964), pois a própria cor negra é uma adaptação protetora contra os raios nocivos, principalmente os ultravioleta. A pele clara e os olhos claros dos povos do norte seriam caracteres secundários ocasionados por mutação ou por pressão seletiva (Cole, 1965).
Hoje, embora não se possa traçar uma fronteira linear, dois grandes grupos "raciais" são identificáveis no continente africano dos dois lados do Saara: no norte, o grupo árabe-berbere, com patrimônio genético "mediterrâneo" (líbios, semitas, fenícios, assírios, gregos, romanos, turcos, etc.); no sul, o grupo negro. Convém notar que as mudanças climáticas, que às vezes anularam o deserto, provocaram durante milênios numerosas mesclas populacionais.
A partir de várias dezenas de marcadores sangüíneos, Nei Masatoshi e A. R. Roy Coudhury estudaram as diferenças genéticas inter e intragrupos em caucasóides e mongolóides 11. Eles definiram coeficientes de correlação, a fim de estabelecer o período aproximado em que esses povos se separaram e constituíram grupos distintos. Ao que tudo indica, o grupo negróide tornou-se autônomo há 120 000 anos, enquanto os mongolóides e caucasóides individualizaram-se há apenas 55000 anos. Segundo J. Ruffie, "esse esquema ajusta-se à maior parte dos dados da hemotipologia fundamental" 12. A partir dessa época, muitas misturas se realizaram no continente africano.
Tentou-se mesmo visualizar as distâncias biológicas das populações graças à técnica matemática dos componentes principais. A. Jacquard estudou 27 populações espalhadas desde a região do Mediterrâneo até o sul do Saara 13, utilizando cinco sistemas sangüíneos que compreendiam 18 fatores. Ele obteve três grupos principais repartidos em quatro agregados: um ao norte, os caucasóides, composto de europeus, Regueibat, árabes sauditas e Tuaregue Kel Kummer; um ao sul, que consistia nos grupos negros de Agades; agregados intermediários, incluindo os Peul Bororo, os Tuaregue de Air e de Tassili, os etíopes, etc.; e ainda os Harratin, tradicionalmente considerados negros. Assim, seria um engano pensar que essa subdivisão confirma a classificação tradicional em "raças", uma vez que, independentemente do que foi dito acima, a forma geral da subdivisão resulta da quantidade de informações considerada; se esta é muito pequena, todos os pontos podem ser reunidos.
Além disso, a respeito do homem subsaariano, é preciso notar que seu nome original, atribuído por Lineu, era Homo ater (africano). Depois, eles foram chamados "negros" e, mais tarde, "pretos". O termo "negróide", mais abrangente, era usado às vezes para designar todas as pessoas que, às margens do continente ou em outros continentes, se pareciam com os pretos. Hoje, apesar de algumas notas dissonantes, a grande maioria dos especialistas reconhece a unidade genética fundamental dos povos subsaarianos. Segundo Boyd, autor da classificação genética das "raças" humanas, existe apenas um grupo negróide que compreende toda a parte do continente situada ao sul do Saara e também a Etiópia; esse grupo difere sensivelmente de todos os demais. Os trabalhos de J. Hiemaux estabeleceram essa tese com notável clareza. Sem negar as variantes locais aparentes, ele demonstra, pela análise de 5050 distâncias entre 101 populações, a uniformidade dos povos no hiperespaço subsaariano, que engloba tanto os "Sudaneses" quanto os "Bantu"; tanto os habitantes das regiões costeiras quanto os Sahelianos; tanto os "Khoisan" quanto os Pigmeus, os Nilotas, os Peul e outros "Etiópidas". Em compensação, ele mostra a grande distância genética que separa os "negros asiáticos" dos negros africanos. Mesmo no campo da lingüística, que nada tem a ver com o fato "racial" mas que foi utilizada em teorias racistas para inventar uma hierarquia das línguas que refletisse a pretensa hierarquia das "raças", na qual os "verdadeiros negros" ocupavam o grau mais baixo da escala, as classificações evidenciam cada vez mais a unidade fundamental das línguas africanas. As variantes somáticas podem ser explicadas cientificamente pelas causas das mudanças discutidas acima, especialmente os biótipos que ora dão origem a agregados de populações mais compósitas (vale do Nilo), ora a grupos populacionais isolados, que desenvolvem características mais ou menos atípicas (montanhas, florestas, pântanos, etc.). Por fim, a história explica outras anomalias através das invasões e migrações, sobretudo nas zonas periféricas. A influência biológica da península Arábica no chamado "Chifre da África" também se evidencia nos povos dessa região, como os Somali, os Galla e os etíopes, mas também, com certeza, nos Tubu, Peul, Tukulor, Songhai, Haussa, etc. Já tivemos oportunidade de ver alguns Marka (Alto Volta) com um perfil tipicamente "semita".
Em suma, a admirável variedade dos fenótipos africanos é sinal de uma evolução particularmente longa desse continente. Os fósseis pré-históricos de que dispomos indicam uma implantação semelhante às encontradas no sul do Saara numa área muito vasta, que vai da África do Sul até o norte do Saara, tendo a região sudanesa representado, ao que parece, o papel de encruzilhada nessa difusão.
Com certeza, a história da África não é uma história de "raças". Contudo, para justificar uma certa história, abusou-se demais do mito pseudocientífico da superioridade de algumas “raças”. Ainda hoje, o mestiço é considerado branco no Brasil e Preto nos Estados Unidos da América. A ciência antropológica, que já demonstrou amplamente não haver nenhuma relação entre a raça e o grau de inteligência, constata que essa conexão as vezes existe entre raça e classe social.
A preeminência história da cultura sobre a biologia é evidente desde a aparição do Homo no planeta. Quando irá tal evidência impor-se aos espíritos?
Notas
1 Quanto às teorias policêntricas e suas variantes. ver os trabalhos de G. WEIDENREICH, COON e as refutações de ROBERTS.
2 Cf. WIERCINSKY, 1965.
3 Cf. RUFFIE. J.
4 Citado por J. RUFFIE, 1977. p. 385. Da mesma forma, com base em certos caracteres genéticos (o gene Fy no sistema de DUFFY, o alelo Ro, etc.), a .porcentagem de mescla branca entre os negros americanos resultante da mestiçagem que se vem operando nos Estados Unidos seria de 25 a 30%. Alguns cientistas concluíram, a partir disso, que se trata de um novo grupo, precipitadamente batizado como "raca norte-americana de cor".
5 MAYR, E., citado por RUFFIE, J. p. 115.
6 Cf. MONTAGU. "Le Concept de Race."
7 RUFFIE, J. p. 116.
8 Quatro declarações sobre a Questão Racial, Unesco, Paris, 1969.
9 J. RUFFIE cita um dicionário francês de medicina e biologia que, em 1972, mantém o conceito de raça segundo o qual existem três grupos principais (brancos, negros, amarelos), baseados em critérios morfológicos, anatômicos, sociológicos... e também psicológiicos...No início do século, C. SEIGNOBOS, em sua Histoire de la Civilisation, escrevia: "Os homens que povoam a terra...também diferem em língua, inteligência e sentimentos. Essas diferenças permitem dividir os habitantes da terra em vários grupos conhecidos como "raças".
10 A teoria camítica (SELIGMAN e outro) - que se deve, por um lado, à ignorância de certos fatos e, por outro, à vontade de justificar o sistema colonial - é a forma mais racista dessas montagens pseudocientíficas.
11 MASATOSHI, Nei e Roy COUDHURY, A. R., 1974. 26, 421.
12 RUFFIE. J. p. 399.
13 JACQUARD, A., 1974. p. 11-124.
por Joseph Ki-Zerbo.
Nenhum trabalho sobre a África seria completo se não houvesse uma discussão sobre o problema das teorias raciais e sua aplicação ao caso africano. Expediente intensamente utilizado para justificar o preconceito, as teorias raciais mostram-se um grande falácia no texto de Ki-Zerbo, alicerçado pelas mais modernas e recentes técnicas antropológicas e genéticas. in História Geral da África. São Paulo; Ática, 1981 volume 1
O conceito de raça é um dos mais difíceis de definir cientificamente. Se admitirmos, como a maioria dos especialistas posteriores a Darwin, que a espécie humana pertence a um único tronco, a teoria das "raças" só pode ser desenvolvida cientificamente dentro do contexto do evolucionismo.
Com efeito, a raciação se inscreve no processo geral da evolução diversificadora. Como observa J. Ruffie, ela requer duas condições: em primeiro lugar, o isolamento sexual, freqüentemente relativo, que provoca pouco a pouco uma paisagem genética e morfológica singular. A raciação, portanto, baseia-se num estoque gênico diferente, causado quer por oscilação genética (o acaso na transmissão dos genes faz com que um deles se transmita com mais freqüência que outro, ou, ao contrário, que seu alelo seja o mais largamente difundido), quer por seleção natural. Esta conduz a uma diversificação adaptativa, graças à qual um grupo tende a conservar o equipamento genético que o adapte melhor a um certo meio. Na África, ambos os processos devem ter ocorrido. De fato, a oscilação genética, que se exprime ao máximo em pequenos grupos, operou em etnias restritas, submetidas a um processo social de cissiparidade por ocasião das disputas de sucessão ou de terras e em virtude das grandes áreas virgens disponíveis. Esse processo marcou particularmente o patrimônio genético das etnias endógamas ou florestais. Quanto à seleção natural, ela teve a oportunidade de entrar em jogo em ecologias tão contrastantes como as do deserto e da floresta densa, dos altos planaltos e das costas recobertas de mangues. Em resumo, do ponto de vista biológico, os homens de uma "raça" têm em comum alguns fatores genéticos que num outro grupo "racial" são substituídos por seus alelos; entre os mestiços, coexistem os dois tipos de genes.
Como era de esperar, a identificação das "raças" se fez em primeiro lugar a partir de critérios aparentes, para em seguida ir considerando, pouco a pouco, realidades mais profundas. Aliás, as características exteriores e os fenômenos internos não estão absolutamente separados. Se certos genes comandam os mecanismos hereditários que determinam a cor da pele, por exemplo, esta também está ligada ao meio ambiente. Observou-se uma correlação positiva entre estatura e temperatura mais elevada do mês mais quente e uma correlação negativa entre estatura e umidade. Da mesma forma, um nariz fino aquece melhor o ar num clima mais frio e umidifica o ar seco inspirado. É assim que o índice nasal aumenta consideravelmente nas populações subsaarianas, do deserto para a floresta, passando pela savana. Embora possuindo o mesmo número de glândulas sudoríparas que os brancos, os negros transpiram mais, o que mantém seu corpo e sua pele numa temperatura menos elevada.
Existem, portanto, diversas etapas na investigação científica no que diz respeito às raças.
A abordagem morfológica
Eickstedt, por exemplo, define as raças como "agrupamentos zoológicos naturais de formas pertencentes ao gênero dos hominídeos, cujos membros apresentam o mesmo conjunto típico de caracteres normais e hereditários no nível morfológico e no nível comportamental".
Desde a cor da pele e a forma dos cabelos ou do sistema piloso, até os caracteres métricos e não métricos, a curvatura femural anterior e as coroas e os sulcos dos molares, foi construído um verdadeiro arsenal de observações e mensurações. Deu-se atenção especial ao índice cefálico, por estar relacionado à parte da cabeça que abriga o cérebro. É assim que Dixon estabelece os diversos tipos em função de três índices combinados de vários modos: o índice cefálico horizontal, o índice cefálico vertical e o índice nasal. Contudo, das 27 combinações possíveis, apenas oito (as mais freqüentes) foram aceitas como representativas dos tipos fundamentais, tendo sido as 19 restantes consideradas misturas. No entanto, as características morfológicas são apenas um reflexo mais ou menos deformado do estoque gênico; sua conjugação num protótipo ideal raramente se realiza com perfeição. De fato, trata-se de detalhes evidentes situados na fronteira homem/meio ambiente, mas que, justamente por isso, são muito menos inatos que adquiridos.
Reside aí uma das maiores fraquezas da abordagem morfológica e tipológica, na qual as exceções acabam por ser mais importantes e mais numerosas que a regra. Além disso, não se devem negligenciar as querelas acadêmicas sobre as modalidades de mensuração (como, quando, etc.), que impedem as comparações úteis. As estatísticas de distância multivariada e os coeficientes de semelhanças raciais, as estatísticas de "formato" e de "forma", a distância generalizada de Nahala Nobis requerem tratamento por computador. Ora, as raças são entidades biológicas reais que devem ser examinadas como um todo e não parte por parte.
A abordagem demográfica ou populacional
Este método vai insistir, de imediato, sobre fatos grupais (reservatório gênico ou genoma), mais estáveis que a estrutura genética conjuntural dos indivíduos. De fato, na identificação de uma raça, é mais importante a freqüência das características que ela apresenta do que as próprias características. Como o método morfológico está praticamente abandonado 2, os elementos serológicos ou genéticos podem ser submetidos a regras de classificação mais objetivas. Para Landman, uma raça é "um grupo de seres humanos que (com raras exceções) apresentam entre si mais semelhanças genotípicas e freqüentem ente também fenotípicas do que com os membros de outros grupos". Alekseiev desenvolve também uma concepção demográfica das raças com denominações puramente geográficas (norte-europeus, sul-africanos, etc.). Schwidejzky e Boyd acentuaram a sistemática genética: distribuição dos grupos sangüíneos A, B e O, combinações do fator Rh, gene da secreção salivar, etc.
O hemotipologista também leva em conta a anatomia, mas no nível da molécula. No que diz respeito à micromorfologia, descreve as células humanas cuja estrutura imunológica e cujo equipamento enzimático são diferenciados, sendo o tecido sangüíneo o material mais prático para isso. Os marcadores sangüíneos representam um salto histórico qualitativo na identificação científica dos grupos humanos. Suas vantagens em relação aos critérios morfológicos são decisivas. Primeiramente, eles são quase sempre monométricos, isto é, sua presença depende de um só gene, enquanto o índice cefálico, por exemplo, é o produto de um complexo de fatores dificilmente localizáveis 3.
Além disso, enquanto os critérios morfológicos são traduzidos em números utilizados para classificações com fronteiras arbitrárias ou mal definidas, como por exemplo entre o braquicéfalo típico e o dolicocéfalo típico, os marcadores sangüíneos obedecem à lei do tudo ou nada. Uma pessoa é ou não do grupo A, tem fator Rh+ ou Rh- e assim por diante. Além disso, os fatores sangüíneos independem quase inteiramente da pressão do meio. O hemótipo é fixado para sempre, desde a formação do ovo. Eis por que os marcadores sangüíneos escapam ao subjetivismo da tipologia morfológica. Aqui, o indivíduo é identificado por um conjunto de fatores gênicos, e a população por uma série de freqüências gênicas. A grande precisão desses fatores compensa seu caráter parcial em relação à massa dos genes no conjunto de um genoma. Isso tornou possível elaborar um atlas das "raças" tradicionais.
Três categorias de fatores sangüíneos foram estabelecidas. Algumas, como o sistema ABO, são encontradas em todas as "raças" tradicionais sem exceção. Certamente elas pré-existiam à hominização. Outros fatores como os do sistema Rh são onipresentes, mas com certa predominância racial. Assim, o cromossomo r existe principalmente entre os brancos. O cromossomo Ro, conhecido como "cromossomo africano", tem uma freqüência particularmente alta entre os negros ao sul do Saara. Trata-se, certamente, de sistemas que datam do momento em que a humanidade começava a se propagar- em nichos ecológicos variados. Outra categoria de sistemas denota uma repartição racial mais marcada, como os fatores Sutter e Henshaw, encontrados quase que unicamente entre os negros, e o fator Kell, presente sobretudo entre os brancos. Embora eles nunca sejam exclusivos, foram qualificados de "marcadores raciais". Enfim, alguns fatores são geograficamente muito circunscritos como, por exemplo, a hemoglobina C para as populações do planalto voltense.
Embora os fatores sangüíneos sejam desprovidos de valor adaptativo, não escapam inteiramente à ação do meio infeccioso ou parasitário; este pode exercer sobre eles uma triagem com valor seletivo, levando, por exemplo, à presença de hemoglobinas características. Isso ocorre com relação às hemoglobinoses S, ligadas à existência de células falciformes ou drepanócitos entre as hemácias. Elas foram detectadas no sangue dos negros da África e da Ásia. Perigosa apenas no caso dos homozigotos, a hemoglobina S (Hb S) é um elemento de adaptação à presença de Plasmodium falciparum, responsável pelo paludismo. O estudo dos hemótipos em grandes áreas permite o traçado de curvas isogênicas que mostram a distribuição geográfica dos fatores sangüíneos por todo o mundo. Associado ao cálculo das distâncias genéticas, ele dá uma idéia de como as populações se situam umas em relação às outras, enquanto o sentido dos fluxos gênicos permite reconstituir o processo prévio de sua evolução.
Apesar de seus desempenhos excepcionais, contudo, o método hemotipológico e populacional encontra dificuldades. Primeiramente, porque seus parâmetros se multiplicam enormemente e já estão apresentando resultados estranhos a ponto de serem encarados por alguns como aberrantes. É assim que a árvore filogênica das populações elaborada por L. L. Cavalli-Sforza difere da árvore antropométrica. Esta coloca os Pigmeus e os San da Africa no mesmo ramo antropométrico que os negros da Nova Guiné e da Austrália; na árvore filogênica, esses mesmos Pigmeus e San aproximam-se mais dos franceses e ingleses e os negros australianos dos japoneses e chineses 4. Em outras palavras, os caracteres antropométricos são mais afetados pelo clima que os genes, de modo que as afinidades morfológicas são mais uma questão de meios similares que de hereditariedades similares. Os trabalhos de R. C. Lewontin, com base nas pesquisas dos hemotipologistas, mostram que, no mundo inteiro, mais de 85 % da variabilidade situa-se no interior das nações. Somente 7 % da variabilidade separa as nações que pertencem à mesma raça tradicional e também apenas 7% separam as raças tradicionais. Em resumo, os indivíduos do mesmo grupo "racial" diferem mais uns dos outros que as "raças"...
É por isso que cada vez mais especialistas adotam a posição radical que consiste em negar a existência de qualquer raça. Segundo J. Ruffie, nas origens da humanidade pequenos grupos de indivíduos separados em zonas ecológicas diversificadas e afastadas, obedecendo a pressões seletivas muito fortes - enquanto os meios técnicos eram extremamente limitados -, puderam se diferenciar a ponto de dar origem às variantes Homo erectus, Homo neanderthalensis e o mais antigo Homo sapiens. O bloco facial, que é a parte do corpo mais exposta a meios ambientes específicos, evoluiu diferentemente; a riqueza de pigmentos melanínicos na pele desenvolveu-se em zona tropical, etc. Mas essa tendência especializante, rapidamente bloqueada, permaneceu embrionária. Em toda parte, o homem se adapta culturalmente (roupas, habitat, alimentos, etc.), e não mais morfologicamente, a seu meio. O homem nascido nos trópicos (clima quente) evoluiu por muito tempo como australopiteco, Homo habilis e até mesmo Homo erectus. "Foi apenas durante a segunda glaciação que, graças ao controle eficaz do fogo, o Homo erectus optou por viver em climas frios. A espécie humana transforma-se de politípica em monotípica e esse processo de desraciação parece irreversível. Hoje, a humanidade inteira deve ser considerada como um único reservatório de genes intercomunicantes."
Em 1952, Livingstone publicava seu famoso artigo "Da não existência das raças humanas". Diante da enorme complexidade e, portanto, da inconsistência dos critérios adotados para qualificar as raças, ele recomendava a renúncia ao sistema lineano de classificação, sugerindo uma árvore genealógica". De fato, nas zonas não isoladas, a freqüência de certos caracteres ou de certos genes evolui progressivamente em várias direções e as diferenças entre duas populações são proporcionais a seu distanciamento físico, de acordo com uma espécie de gradiente geográfico (cline). Relacionando cada traço distintivo aos fatores de seleção e adaptação que podem tê-lo favorecido, notamos freqüências ligadas, ao que parece, muito mais. a fatores tecnológicos, culturais e outros, que não coincidem de maneira nenhuma com o mapa das "raças" 6. Dependendo do critério adotado (cor da pele, índice cefálico, índice nasal, características genéticas e assim por diante), obtêm-se mapas diferentes. É por isso que alguns especialistas concluem, a partir daí, que "toda teoria das raças é insuficiente e mítica". "Os últimos progressos da genética humana são tais hoje em dia que nenhum biólogo admite a existência de raças na espécie humana." 7 Biologicamente, a cor da pele é um elemento negligenciável em relação ao conjunto do genoma. De acordo com Bentley Glass, não há mais de seis pares de genes pelos quais a raça branca difere da raça negra. Os brancos freqüentem ente diferem entre si num grande número de genes, o mesmo acontecendo com os negros. E: por isso que a Unesco, depois de ter organizado uma conferência de especialistas internacionais, declarou: "A raça é menos um fenômeno biológico do que um mito social". 8 Isso é tão verdadeiro que, na África do Sul, um japonês é considerado como "branco honorário" e um chinês como "homem de cor".
Para Hiernaux, a espécie humana parece uma rede de territórios genéticos, de genomas coletivos que constituem populações mais ou menos semelhantes, cuja distância qualitativa é expressa por uma avaliação quantitativa, (taxonomia numérica). As fronteiras desses territórios, definidos a partir do cline, flutuam com todas as mudanças que afetam os traços aparentes (fenótipos) e os dados serológicos (genótipos) das coletividades. Dessa maneira, qualquer "raça", em conformidade com a brilhante intuição de Darwin, seria em suma um processo em marcha, dependendo de algum modo da dinâmica dos fluidos; e os povos seriam todos mestiços ou estariam em vias de sê-lo. De fato, cada encontro de povos pode ser analisado como uma migração gênica e esse fluxo genético volta a questionar o capital biológico de ambos.
Porém, mesmo que essa abordagem fosse mais científica, mesmo que esses territórios genéticos mutáveis fossem realmente aceitos pelas comunidades em questão, poderíamos dizer que os sentimentos de tipo "racial" seriam suprimidos, uma vez que conservariam sua base material visível e tangível, sob a forma de traços fenotípicos?
Desde que os nazistas, a começar por Hitler, e em seguida outros pseudo-pensadores afirmaram que o homem mediterrâneo representa um nível intermediário entre o ariano, "Prometeu da humanidade", e o negro, que é "por sua origem um meio-macaco", o mito racial tem permanecido vivo. Os morfologistas impenitentes continuam a alimentar esse fogo ignóbil com alguns galhos mortos 9. Lineu, no século XVIII, dividia a espécie humana em seis raças: americana, européia, africana, asiática, selvagem e monstruosa. Com certeza, os racistas se encontram numa ou noutra das duas últimas categorias.
De todas essas teses, hipóteses e teorias, devemos conservar o caráter dinâmico dos fenômenos "raciais", tendo em mente que se trata de um dinamismo lento e espesso, que se exerce sobre uma enorme quantidade de registros, nos quais a cor da pele (mesmo que ela seja medida por eletroespectro-fotômetro) ou a forma do nariz constituem apenas um aspecto quase irrisório. Nessa dinâmica, devem ser levados em conta dois componentes que agem em conjunto: o patrimônio .genético, que pode ser considerado um gigantesco banco de dados biológicos em ação, e o meio ambiente, em sentido amplo, pois começa já no meio fetal.
As mudanças que resultam da interação desses dois fatores básicos intervêm seja sob a forma incontrolável da seleção e da migração gênica (mestiçagem), seja sob a forma: casual da oscilação genética ou da mutação. Em resumo, é toda a história de uma população que explica sua presente facies "racial", incluindo, através da interpretação das representações coletivas, as religiões, os costumes alimentares, de vestuário e outros.
Nesse contexto, o que dizer da situação racial do continente africano? A difícil conservação dos fósseis humanos devido à umidade e à acidez dos solos dificulta a análise histórica sob esse ponto de vista. Contudo, pode-se dizer que, ao contrário das teorias européias que explicam o povoamento da África pelas migrações vindas da Ásia, as populações desse continente são em grande parte autóctones. Quanto à cor da pele dos habitantes mais antigos do continente nas latitudes tropicais, vários autores pensam que ela deveria ser escura (Brace, 1964), pois a própria cor negra é uma adaptação protetora contra os raios nocivos, principalmente os ultravioleta. A pele clara e os olhos claros dos povos do norte seriam caracteres secundários ocasionados por mutação ou por pressão seletiva (Cole, 1965).
Hoje, embora não se possa traçar uma fronteira linear, dois grandes grupos "raciais" são identificáveis no continente africano dos dois lados do Saara: no norte, o grupo árabe-berbere, com patrimônio genético "mediterrâneo" (líbios, semitas, fenícios, assírios, gregos, romanos, turcos, etc.); no sul, o grupo negro. Convém notar que as mudanças climáticas, que às vezes anularam o deserto, provocaram durante milênios numerosas mesclas populacionais.
A partir de várias dezenas de marcadores sangüíneos, Nei Masatoshi e A. R. Roy Coudhury estudaram as diferenças genéticas inter e intragrupos em caucasóides e mongolóides 11. Eles definiram coeficientes de correlação, a fim de estabelecer o período aproximado em que esses povos se separaram e constituíram grupos distintos. Ao que tudo indica, o grupo negróide tornou-se autônomo há 120 000 anos, enquanto os mongolóides e caucasóides individualizaram-se há apenas 55000 anos. Segundo J. Ruffie, "esse esquema ajusta-se à maior parte dos dados da hemotipologia fundamental" 12. A partir dessa época, muitas misturas se realizaram no continente africano.
Tentou-se mesmo visualizar as distâncias biológicas das populações graças à técnica matemática dos componentes principais. A. Jacquard estudou 27 populações espalhadas desde a região do Mediterrâneo até o sul do Saara 13, utilizando cinco sistemas sangüíneos que compreendiam 18 fatores. Ele obteve três grupos principais repartidos em quatro agregados: um ao norte, os caucasóides, composto de europeus, Regueibat, árabes sauditas e Tuaregue Kel Kummer; um ao sul, que consistia nos grupos negros de Agades; agregados intermediários, incluindo os Peul Bororo, os Tuaregue de Air e de Tassili, os etíopes, etc.; e ainda os Harratin, tradicionalmente considerados negros. Assim, seria um engano pensar que essa subdivisão confirma a classificação tradicional em "raças", uma vez que, independentemente do que foi dito acima, a forma geral da subdivisão resulta da quantidade de informações considerada; se esta é muito pequena, todos os pontos podem ser reunidos.
Além disso, a respeito do homem subsaariano, é preciso notar que seu nome original, atribuído por Lineu, era Homo ater (africano). Depois, eles foram chamados "negros" e, mais tarde, "pretos". O termo "negróide", mais abrangente, era usado às vezes para designar todas as pessoas que, às margens do continente ou em outros continentes, se pareciam com os pretos. Hoje, apesar de algumas notas dissonantes, a grande maioria dos especialistas reconhece a unidade genética fundamental dos povos subsaarianos. Segundo Boyd, autor da classificação genética das "raças" humanas, existe apenas um grupo negróide que compreende toda a parte do continente situada ao sul do Saara e também a Etiópia; esse grupo difere sensivelmente de todos os demais. Os trabalhos de J. Hiemaux estabeleceram essa tese com notável clareza. Sem negar as variantes locais aparentes, ele demonstra, pela análise de 5050 distâncias entre 101 populações, a uniformidade dos povos no hiperespaço subsaariano, que engloba tanto os "Sudaneses" quanto os "Bantu"; tanto os habitantes das regiões costeiras quanto os Sahelianos; tanto os "Khoisan" quanto os Pigmeus, os Nilotas, os Peul e outros "Etiópidas". Em compensação, ele mostra a grande distância genética que separa os "negros asiáticos" dos negros africanos. Mesmo no campo da lingüística, que nada tem a ver com o fato "racial" mas que foi utilizada em teorias racistas para inventar uma hierarquia das línguas que refletisse a pretensa hierarquia das "raças", na qual os "verdadeiros negros" ocupavam o grau mais baixo da escala, as classificações evidenciam cada vez mais a unidade fundamental das línguas africanas. As variantes somáticas podem ser explicadas cientificamente pelas causas das mudanças discutidas acima, especialmente os biótipos que ora dão origem a agregados de populações mais compósitas (vale do Nilo), ora a grupos populacionais isolados, que desenvolvem características mais ou menos atípicas (montanhas, florestas, pântanos, etc.). Por fim, a história explica outras anomalias através das invasões e migrações, sobretudo nas zonas periféricas. A influência biológica da península Arábica no chamado "Chifre da África" também se evidencia nos povos dessa região, como os Somali, os Galla e os etíopes, mas também, com certeza, nos Tubu, Peul, Tukulor, Songhai, Haussa, etc. Já tivemos oportunidade de ver alguns Marka (Alto Volta) com um perfil tipicamente "semita".
Em suma, a admirável variedade dos fenótipos africanos é sinal de uma evolução particularmente longa desse continente. Os fósseis pré-históricos de que dispomos indicam uma implantação semelhante às encontradas no sul do Saara numa área muito vasta, que vai da África do Sul até o norte do Saara, tendo a região sudanesa representado, ao que parece, o papel de encruzilhada nessa difusão.
Com certeza, a história da África não é uma história de "raças". Contudo, para justificar uma certa história, abusou-se demais do mito pseudocientífico da superioridade de algumas “raças”. Ainda hoje, o mestiço é considerado branco no Brasil e Preto nos Estados Unidos da América. A ciência antropológica, que já demonstrou amplamente não haver nenhuma relação entre a raça e o grau de inteligência, constata que essa conexão as vezes existe entre raça e classe social.
A preeminência história da cultura sobre a biologia é evidente desde a aparição do Homo no planeta. Quando irá tal evidência impor-se aos espíritos?
Notas
1 Quanto às teorias policêntricas e suas variantes. ver os trabalhos de G. WEIDENREICH, COON e as refutações de ROBERTS.
2 Cf. WIERCINSKY, 1965.
3 Cf. RUFFIE. J.
4 Citado por J. RUFFIE, 1977. p. 385. Da mesma forma, com base em certos caracteres genéticos (o gene Fy no sistema de DUFFY, o alelo Ro, etc.), a .porcentagem de mescla branca entre os negros americanos resultante da mestiçagem que se vem operando nos Estados Unidos seria de 25 a 30%. Alguns cientistas concluíram, a partir disso, que se trata de um novo grupo, precipitadamente batizado como "raca norte-americana de cor".
5 MAYR, E., citado por RUFFIE, J. p. 115.
6 Cf. MONTAGU. "Le Concept de Race."
7 RUFFIE, J. p. 116.
8 Quatro declarações sobre a Questão Racial, Unesco, Paris, 1969.
9 J. RUFFIE cita um dicionário francês de medicina e biologia que, em 1972, mantém o conceito de raça segundo o qual existem três grupos principais (brancos, negros, amarelos), baseados em critérios morfológicos, anatômicos, sociológicos... e também psicológiicos...No início do século, C. SEIGNOBOS, em sua Histoire de la Civilisation, escrevia: "Os homens que povoam a terra...também diferem em língua, inteligência e sentimentos. Essas diferenças permitem dividir os habitantes da terra em vários grupos conhecidos como "raças".
10 A teoria camítica (SELIGMAN e outro) - que se deve, por um lado, à ignorância de certos fatos e, por outro, à vontade de justificar o sistema colonial - é a forma mais racista dessas montagens pseudocientíficas.
11 MASATOSHI, Nei e Roy COUDHURY, A. R., 1974. 26, 421.
12 RUFFIE. J. p. 399.
13 JACQUARD, A., 1974. p. 11-124.
sábado, 13 de março de 2010
A I Semana de História - उनेब
A I Semana de História do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (DEDC/UNEB) - Campus II (Alagoinhas) ocorrerá no período de 12 a 16 de abril de 2010. Trata-se de um evento de natureza acadêmica que tem como público alvo os estudantes de graduação e pós-graduação em História e os profissionais da área, especialmente os que atuam na educação básica pública e privada. O conclave tem por objetivos possibilitar a interlocução e as trocas acadêmicas entre os estudantes e profissionais de nossa universidade com os de outras instituições de ensino superior do país. Espera-se, ainda, estreitar os contatos e a integração entre os estudantes de graduação e pós-graduação em História das várias unidades da UNEB e entre estes e os das outras universidades localizadas na Bahia. O encontro discutirá as questões relacionadas ao ofício de historiador (tema da conferência de abertura) e tratará, através de mesas-redondas, de linhas de pesquisa já desenvolvidas pelos docentes e discentes do curso de História do DEDC/UNEB II, tais como História Política, História da Saúde e da Doença, História e Etnia, História e Gênero, História e Literatura e História do Trabalho. Além disso, a Semana de História se constitui num momento importante para que os estudantes bolsistas de Iniciação Científica (IC) e os que estão redigindo seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) possam apresentar e debater os primeiros resultados de seus estudos.
www.educacaocampus2.uneb.br/isemanadehistoria
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E Canudos era a Vendéia - Raimundo Nonato Pereira Moreira
E Canudos era a Vendéia
Raimundo Nonato Pereira MoreiraFormato*
16X23cm, 392 páginasISBN 978-85-391-0029-3
E Canudos era a Vendéia... discute os influxos do imaginário da Revolução Francesa no processo de construção da narrativa de Os Sertões. Este livro apresenta cinco momentos principais. Inicialmente, abordam-se aspectos considerados relevantes acerca da vida e da obra de Euclides da Cunha. Em seguida, analisa-se a presença da Revolução Francesa na obra euclidiana, argumentando-se que esse processo se constituiu no conjunto de acontecimentos históricos mais relevante no quadro das referências teóricas do escritor. No terceiro seguimento, discute-se a construção da narrativa euclidiana da Guerra de Canudos, mediante uma hipótese que postula a existência de três momentos desse processo, ou seja: antes do contato de Euclides com o conflito; durante a presença do correspondente na Bahia; e após o desfecho do conflito, materializado nas páginas do livro vingador. No último capítulo, problematiza-se a ontologia discursiva de Os Sertões, recorrendo-se às categorias de historicidade, ficcionalidade e literariedade, presentes na composição da narrativa euclidiana, destacando-se, ainda, as contribuições do romance Quatrevingt-treize, deVictor Hugo, para o consórcio da ciência e da arte intentado por Euclides. Finalmente, reitera-se que a análise da construção da obra evidenciou um processo complexo, no qual o escritor caboclo se valeu tanto de relatos históricos quanto de narrações imaginárias, para comunicar aos futuros historiadores o seu juízo sobre a Guerra de Canudos.
Créditos:
*Professor Adjunto do Curso de Licenciatura em História do Departamento de Educação (DEDC) – Campus II/Alagoinhas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Doutor em História pela Universidade de Campinas (UNICAMP).
http://www.annablume.com.br/comercio/product_info.php?products_id=1320&PHPSESSID=33ef22db073aff84afd6e83d14c10099
Este produto está em nosso catálogo desde quarta 03 março, 2010.
Raimundo Nonato Pereira MoreiraFormato*
16X23cm, 392 páginasISBN 978-85-391-0029-3
E Canudos era a Vendéia... discute os influxos do imaginário da Revolução Francesa no processo de construção da narrativa de Os Sertões. Este livro apresenta cinco momentos principais. Inicialmente, abordam-se aspectos considerados relevantes acerca da vida e da obra de Euclides da Cunha. Em seguida, analisa-se a presença da Revolução Francesa na obra euclidiana, argumentando-se que esse processo se constituiu no conjunto de acontecimentos históricos mais relevante no quadro das referências teóricas do escritor. No terceiro seguimento, discute-se a construção da narrativa euclidiana da Guerra de Canudos, mediante uma hipótese que postula a existência de três momentos desse processo, ou seja: antes do contato de Euclides com o conflito; durante a presença do correspondente na Bahia; e após o desfecho do conflito, materializado nas páginas do livro vingador. No último capítulo, problematiza-se a ontologia discursiva de Os Sertões, recorrendo-se às categorias de historicidade, ficcionalidade e literariedade, presentes na composição da narrativa euclidiana, destacando-se, ainda, as contribuições do romance Quatrevingt-treize, deVictor Hugo, para o consórcio da ciência e da arte intentado por Euclides. Finalmente, reitera-se que a análise da construção da obra evidenciou um processo complexo, no qual o escritor caboclo se valeu tanto de relatos históricos quanto de narrações imaginárias, para comunicar aos futuros historiadores o seu juízo sobre a Guerra de Canudos.
Créditos:
*Professor Adjunto do Curso de Licenciatura em História do Departamento de Educação (DEDC) – Campus II/Alagoinhas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Doutor em História pela Universidade de Campinas (UNICAMP).
http://www.annablume.com.br/comercio/product_info.php?products_id=1320&PHPSESSID=33ef22db073aff84afd6e83d14c10099
Este produto está em nosso catálogo desde quarta 03 março, 2010.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Rosas do cangaço
05/02/2010
Rosas do cangaço
João de Sousa Lima lança livro sobre Maria Bonita e critica o descaso com a preservação da memória deste episódio histórico.
Adriano Belisário
Andarilho do sertão, João de Sousa Lima já colheu inúmeras histórias sobre o cangaço em seus 15 anos de pesquisa sobre o tema. Focando nos depoimentos orais, o historiador entrevistou moradores da região que conviveram de perto com personagens míticos do banditismo nordestino, como Lampião e Maria Bonita, tema de seu último livro.Recém-lançada, a obra ‘Maria Bonita - Diferentes contextos que envolvem a vida da Rainha do Cangaço’ reúne textos de João de Sousa e outros autores, que trazem fatos inéditos e análises sociológicas e linguísticas sobre o cangaço. Um dos objetivos é desfazer alguns dos equívocos que cercam a imagem de Virgulino Ferreira e sua esposa, como a história sobre um campo de futebol que teria sido construído por Lampião no Raso da Catarina (BA). “Foi um historiador que encontrou um campo de pouso feito pelo Petrobras nos anos 60 para exploração de petróleo e disse que Lampião jogava bola lá sem nenhum fundamento”, explica.Apesar de Maria Bonita atrair os holofotes, João de Sousa também pesquisa sobre outras rosas do cangaço. Não foram poucas as mulheres que se entregaram à vida nômade no sertão e mostraram que nem só de bala, sangue e poeira foi feita esta história. É o caso de Durvinha, esposa de Virgínio, um dos mais belos cangaceiros. “Depois que ele faleceu, ninguém sabia mais o que ela tinha feito. Saí em busca e a encontrei vivendo com Moreno em Minas Gerais. Ele era um companheiro leal de Virgínio e assumiu o bando de cangaceiros e a esposa do chefe após sua morte. Durvinha morreu apaixonada por Virgínio e Moreno não achava ruim, pois também o admirava”, relata João de Sousa.Se Virgínio destacava-se por sua beleza entre os homens, o posto de Miss Cangaço poderia ir para Lídia Pereira de Souza, descrita como a mais bonita dentre as mulheres do sertão naquela época. Ao conhecer um irmão de Lídia, ainda vivo, João de Sousa chegou perto de revelar ao mundo o rosto da mais bela cangaceira. “Ele me deu um baú que poderia ter fotos dela, mas estava tudo carcomido por cupins. Chegamos tardes demais”, lamenta o historiador, que irá transferir todo acervo de sua pesquisa sobre o assunto para o Museu Regional do Sertão, a ser inaugurado por volta de 2012 na cidade de Paulo Afonso (BA). Enquanto o Museu não sai, o historiador filma um curta-metragem acerca do assunto e organiza este ano o II Seminário Internacional sobre Maria Bonita, uma espécie de preparativo para a terceira edição, que ocorre em 2011, centenário do nascimento de Maria Bonita. Porém, sem um grande reconhecimento público da importância de preservar a história do cangaço, esta conservação é feita através de iniciativas isoladas e limitadas, como se vê no caso da fotografia de Lídia Pereira. “Se tivessem mais pessoas envolvidas nisto, a história do Brasil ganharia muito mais”, aposta João de Sousa.
Rosas do cangaço
João de Sousa Lima lança livro sobre Maria Bonita e critica o descaso com a preservação da memória deste episódio histórico.
Adriano Belisário
Andarilho do sertão, João de Sousa Lima já colheu inúmeras histórias sobre o cangaço em seus 15 anos de pesquisa sobre o tema. Focando nos depoimentos orais, o historiador entrevistou moradores da região que conviveram de perto com personagens míticos do banditismo nordestino, como Lampião e Maria Bonita, tema de seu último livro.Recém-lançada, a obra ‘Maria Bonita - Diferentes contextos que envolvem a vida da Rainha do Cangaço’ reúne textos de João de Sousa e outros autores, que trazem fatos inéditos e análises sociológicas e linguísticas sobre o cangaço. Um dos objetivos é desfazer alguns dos equívocos que cercam a imagem de Virgulino Ferreira e sua esposa, como a história sobre um campo de futebol que teria sido construído por Lampião no Raso da Catarina (BA). “Foi um historiador que encontrou um campo de pouso feito pelo Petrobras nos anos 60 para exploração de petróleo e disse que Lampião jogava bola lá sem nenhum fundamento”, explica.Apesar de Maria Bonita atrair os holofotes, João de Sousa também pesquisa sobre outras rosas do cangaço. Não foram poucas as mulheres que se entregaram à vida nômade no sertão e mostraram que nem só de bala, sangue e poeira foi feita esta história. É o caso de Durvinha, esposa de Virgínio, um dos mais belos cangaceiros. “Depois que ele faleceu, ninguém sabia mais o que ela tinha feito. Saí em busca e a encontrei vivendo com Moreno em Minas Gerais. Ele era um companheiro leal de Virgínio e assumiu o bando de cangaceiros e a esposa do chefe após sua morte. Durvinha morreu apaixonada por Virgínio e Moreno não achava ruim, pois também o admirava”, relata João de Sousa.Se Virgínio destacava-se por sua beleza entre os homens, o posto de Miss Cangaço poderia ir para Lídia Pereira de Souza, descrita como a mais bonita dentre as mulheres do sertão naquela época. Ao conhecer um irmão de Lídia, ainda vivo, João de Sousa chegou perto de revelar ao mundo o rosto da mais bela cangaceira. “Ele me deu um baú que poderia ter fotos dela, mas estava tudo carcomido por cupins. Chegamos tardes demais”, lamenta o historiador, que irá transferir todo acervo de sua pesquisa sobre o assunto para o Museu Regional do Sertão, a ser inaugurado por volta de 2012 na cidade de Paulo Afonso (BA). Enquanto o Museu não sai, o historiador filma um curta-metragem acerca do assunto e organiza este ano o II Seminário Internacional sobre Maria Bonita, uma espécie de preparativo para a terceira edição, que ocorre em 2011, centenário do nascimento de Maria Bonita. Porém, sem um grande reconhecimento público da importância de preservar a história do cangaço, esta conservação é feita através de iniciativas isoladas e limitadas, como se vê no caso da fotografia de Lídia Pereira. “Se tivessem mais pessoas envolvidas nisto, a história do Brasil ganharia muito mais”, aposta João de Sousa.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
II Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita - 8 a 10/março, em Paulo Afonso -
20/01/2010
CANGAÇO EM PAUTACampus VIII da UNEB realiza II Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita - Evento, aberto ao público externo, tematiza diferentes contextos da biografia da companheira do cangaceiro Lampião - De 8 a 10/março, em Paulo Afonso - Inscrições abertas (gratuitas)
O Campus VIII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Paulo Afonso, vai ser palco de mais uma homenagem à cangaceira baiana Maria Gomes de Oliveira, entre os dias 8 e 10 de março.Durante esse período, o Departamento de Educação (DEDC) do campus, em parceria com a Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, vai realizar o II Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, com o tema Diferentes contextos que envolveram a vida da rainha do cangaço.A iniciativa, gratuita e aberta ao publico externo, está com inscrições abertas até o primeiro dia do evento no Núcleo de Estudos em Comunidades e Povos Tradicionais e Ações Socioambientais (Nectas) da unidade. O diretor do DEDC, Juracy Marques, destaca que o evento vai debater a história de Maria Bonita, a partir da análise da conjuntura política e econômica da época, incluindo o seu convívio familiar.“O papel da UNEB é valorizar uma das mais importantes filhas de Paulo Afonso, e estimular as discussões sobre o cangaço, que é um tema que tem despertado interesse em diversas partes do mundo”, observa Juracy. A programação do evento prevê a realização de mesas-redondas, mostras de filmes e lançamento de livros, reservando a participação de lideranças políticas e militares, descendentes de cangaceiros, escritores e pesquisadores do tema. Já confirmaram presença Eribaldo de Oliveira e Adelmo Gomes (parentes de Maria Bonita), Teófilo Pires (ex-soldado de volante), Neli Conceição e João Souto, filhos do casal de cangaceiros Moreno e Durvinha.A ação, que tem apoio da Reitoria e da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UNEB, dá continuidade às comemorações - iniciadas em 2009 com a primeira edição do seminário - do centenário de nascimento da companheira de Lampião, a ser celebrado em março de 2011.Rainha do CangaçoMaria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, foi a primeira mulher a se destacar no cenário do cangaço. Ela introduziu vários costumes entre os cangaceiros, que até então não permitiam mulheres no grupo.
"Maria Bonita foi na época do cangaço uma jovem que quebrou os padrões de um Sertão ainda resguardado quanto aos reais valores da mulher. Hoje ela é simplesmente parte da história, um capítulo dos acontecimentos que marcaram o nosso Nordeste brasileiro", destaca João Lima, um dos maiores pesquisadores sobre a vida da cangaceira e representante da prefeitura local na coordenação da segunda edição do seminário.
Nascida em 8 de março de 1911, em uma fazenda na Malhada da Caiçara, em Paulo Afonso, de acordo com pesquisadores, Maria Bonita casou-se aos 15 anos com um sapateiro, com quem vivia brigando. Durante uma das separações de seu marido, ela conheceu Lampião e apaixonou-se. O rei do cangaço, nessa época, tinha quase 33 anos e Maria, pouco mais de 20.
Maria Bonita entrou para o bando ao final de 1929 e tornou-se musa e rainha do cangaço, ocupando-se, entre outras coisas, com a tarefa de costurar a indumentária dos cangaceiros.
Lampião arregimentou 47 homens e mulheres de várias ramificações familiares apenas em Paulo Afonso. Maria Bonita conviveu durante nove anos com Lampião e teve uma filha, Expedita. Como seguidora do bando, foi ferida apenas uma vez.
E foi no dia 28 de julho de 1938, na fazenda Angicos, em Sergipe, durante um ataque feito por uma volante ao bando, que um dos casais mais famosos do país foi assassinado, transformando suas vidas em um marco da história nordestina.
Informações: DEDC/Campus VIII - Tel.: .
[Texto: Ascom/UNEB, com informações do DEDC/Campus VIII. Imagem: Divulgação] vs/ma
CANGAÇO EM PAUTACampus VIII da UNEB realiza II Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita - Evento, aberto ao público externo, tematiza diferentes contextos da biografia da companheira do cangaceiro Lampião - De 8 a 10/março, em Paulo Afonso - Inscrições abertas (gratuitas)
O Campus VIII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Paulo Afonso, vai ser palco de mais uma homenagem à cangaceira baiana Maria Gomes de Oliveira, entre os dias 8 e 10 de março.Durante esse período, o Departamento de Educação (DEDC) do campus, em parceria com a Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, vai realizar o II Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita, com o tema Diferentes contextos que envolveram a vida da rainha do cangaço.A iniciativa, gratuita e aberta ao publico externo, está com inscrições abertas até o primeiro dia do evento no Núcleo de Estudos em Comunidades e Povos Tradicionais e Ações Socioambientais (Nectas) da unidade. O diretor do DEDC, Juracy Marques, destaca que o evento vai debater a história de Maria Bonita, a partir da análise da conjuntura política e econômica da época, incluindo o seu convívio familiar.“O papel da UNEB é valorizar uma das mais importantes filhas de Paulo Afonso, e estimular as discussões sobre o cangaço, que é um tema que tem despertado interesse em diversas partes do mundo”, observa Juracy. A programação do evento prevê a realização de mesas-redondas, mostras de filmes e lançamento de livros, reservando a participação de lideranças políticas e militares, descendentes de cangaceiros, escritores e pesquisadores do tema. Já confirmaram presença Eribaldo de Oliveira e Adelmo Gomes (parentes de Maria Bonita), Teófilo Pires (ex-soldado de volante), Neli Conceição e João Souto, filhos do casal de cangaceiros Moreno e Durvinha.A ação, que tem apoio da Reitoria e da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UNEB, dá continuidade às comemorações - iniciadas em 2009 com a primeira edição do seminário - do centenário de nascimento da companheira de Lampião, a ser celebrado em março de 2011.Rainha do CangaçoMaria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, foi a primeira mulher a se destacar no cenário do cangaço. Ela introduziu vários costumes entre os cangaceiros, que até então não permitiam mulheres no grupo.
"Maria Bonita foi na época do cangaço uma jovem que quebrou os padrões de um Sertão ainda resguardado quanto aos reais valores da mulher. Hoje ela é simplesmente parte da história, um capítulo dos acontecimentos que marcaram o nosso Nordeste brasileiro", destaca João Lima, um dos maiores pesquisadores sobre a vida da cangaceira e representante da prefeitura local na coordenação da segunda edição do seminário.
Nascida em 8 de março de 1911, em uma fazenda na Malhada da Caiçara, em Paulo Afonso, de acordo com pesquisadores, Maria Bonita casou-se aos 15 anos com um sapateiro, com quem vivia brigando. Durante uma das separações de seu marido, ela conheceu Lampião e apaixonou-se. O rei do cangaço, nessa época, tinha quase 33 anos e Maria, pouco mais de 20.
Maria Bonita entrou para o bando ao final de 1929 e tornou-se musa e rainha do cangaço, ocupando-se, entre outras coisas, com a tarefa de costurar a indumentária dos cangaceiros.
Lampião arregimentou 47 homens e mulheres de várias ramificações familiares apenas em Paulo Afonso. Maria Bonita conviveu durante nove anos com Lampião e teve uma filha, Expedita. Como seguidora do bando, foi ferida apenas uma vez.
E foi no dia 28 de julho de 1938, na fazenda Angicos, em Sergipe, durante um ataque feito por uma volante ao bando, que um dos casais mais famosos do país foi assassinado, transformando suas vidas em um marco da história nordestina.
Informações: DEDC/Campus VIII - Tel.: .
[Texto: Ascom/UNEB, com informações do DEDC/Campus VIII. Imagem: Divulgação] vs/ma
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